quinta-feira, maio 01, 2014
sexta-feira, dezembro 27, 2013
quinta-feira, dezembro 05, 2013
Primeiro encontro
Nunca
percebi o
silêncio obstinado das
praias da marginal
pelas noites de inverno,
a indiferença das coisas
em que um dia fomos grandes.
silêncio obstinado das
praias da marginal
pelas noites de inverno,
a indiferença das coisas
em que um dia fomos grandes.
Não
exijo agora que te molhes,
– a água está tão fria – ou que me
dês uma das tuas mãos. Gostava,
por uma vez, que este mar
sossegasse connosco dentro.
Rema, temos tempo.
– a água está tão fria – ou que me
dês uma das tuas mãos. Gostava,
por uma vez, que este mar
sossegasse connosco dentro.
Rema, temos tempo.
Ainda que seja sempre tarde
para irmos mais longe,
podemos seguir
o balanço que nos separa.
para irmos mais longe,
podemos seguir
o balanço que nos separa.
Frederico Pedreira, in Doze passos atrás, Artefacto, 2013, p. 67.
sábado, novembro 09, 2013
quinta-feira, julho 04, 2013
Estradas Secundárias
CÓLOFON
Estradas Secundárias:
doze poetas irlandeses,
livro da colecção Ítaca,
publicado pelas Edições Artefacto,
foi composto em caracteres Adobe Garamond Pro
e foi impresso na Guide – Artes Gráficas,
em papel Munken Print Creme 80g,
durante o mês de Junho de 2013,
numa tiragem de 200 exemplares.
O livro pode ser encomendado aqui.
O Funeral de Anna Akhmátova
Parece-me a recepção de um herói,
quando a levam, em ombros,
até à campa, sem mais delicadeza
do que a que teriam a transportar mobília barata,
como um frágil guarda-fatos de ripas,
cheio de roupa velha e cabides,
ou um serviço de jantar incompleto
embrulhado em desperdício e jornais.
Se me pedissem a minha opinião, diria
que a desarrumação se dá bem
com a poesia, sugere uma vida
levada contra qualquer regra,
por entre estantes em desordem, mesas
soterradas debaixo de uma avalanche de rascunhos,
numa casa que é a de qualquer um
que por acaso toque à porta.
Na cozinha um fervedor de leite,
do samovar brota o fumo,
um mês de saladas que azedaram.
Do mesmo modo, talvez nunca
te tivesses dado ao trabalho de te vestires,
ou de te maquilhares, para responder a cartas,
ou pagar as contas. Desde a sua extremidade
esboroada, desfaz-se o terreno do cemitério
em múltiplas, indefinidas, vidas possíveis,
cada uma menos ordenada, menos disciplinada,
e, ainda depois de todos eles,
a história aprende já a ignorar-te,
apesar da presença da equipa de filmagem
e do luto dos presentes, que bem podiam ser
espectadores que enchessem um estádio
ou o turno da noite a caminho de casa.
Admite-o: tem a sua atracção, este
rude enxovalho das coisas:
podias raspar-te para um canto sem que te notassem
e ver, contendo um riso
que diz: «Que leve que ela é, com que facilidade
eles a erguem acima da cabeça,
não é mais pesada do que uma criança ou um poema,
não mais sólida do que o sermão do padre
sobre as caducas leis da gravidade.»
Sem peso, pé ante pé, recuas,
deixas o cemitério, como um convidado tímido
ainda desconfiado do convite,
vais para casa, para qualquer uma das vidas que levaste
sem deixar sequer uma impressão digital
um pestana perdida que se apanhasse
no olhar infirme da câmara
circundando o limite da ausência.
Martin Mooney, in Estradas Secundárias - doze poetas irlandeses, Artefacto, 2013. Tradução de Hugo Pinto Santos.
terça-feira, julho 02, 2013
Ataque de existência
Tem-se vinte e três anos ou trinta e um, ou
ainda mais, e descobre-se, ao atravessar uma rua ou quando cai o chaveiro, que,
realmente, se existe. Contra isto, não há nenhuma protecção segura. Nem a teoria nem o álcool podem
garantir uma protecção impenetrável contra o Ser-aí.
Safer thinking, safer drinking – não
serve em todos os casos. Nem
mesmo aqueles que, regularmente, vão fazer jogging para o bosque e que, a partir dos trinta
anos, fazem check ups preventivos
podem excluir completamente a hipótese de sofrer um ataque de existência durante
a noite.
O
estranhamento do mundo, Peter Sloterdijk
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